sábado, 10 de outubro de 2009

o amor pede água

pétalas de sentimentos pedem água.
água, alimento do amor, é cuidado, carinho, atenção.
sabemos da flor a sua necessidade de água,
mas se a vemos, é porque a planta já está em sofrimento.

assim é também o amor.
sabemos da necessidade de cultivá-lo com alegria, atenção e compreensão.
sabemos.
mas quando o amor pede água, o coração está em sofrimento.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

tristezas e alegrias

das minhas tristezas, muita fala e pouco uso.
das minhas alegrias, pouco digo, muito abuso.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

passo e tropeço

dou um passo e um tropeço,
me pergunto: mereço?
te vejo e balança a vida,
me pergunto: apareço?
sofro, rio e choro,
me pergunto: ainda cresço?
dou um passo e um tropeço,
qualquer dia, desapareço.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

pranto

quis ser tua, tantas vezes, tantos dias,
quis amanhecer feito sol correndo tuas vias,
te fazer descansar, sono profundo, de dias,
quis ser teu sorriso mais aberto, tuas alegrias.

e tanto quis, intensamente,
que você, sempre descontente
achou querer exagerado demais.

mandou-me pra casa, pra rua, pra qualquer canto,
onde querer não existe mais, apenas desencanto,
deixando murcha a flor, secando todo o campo,
apagando meu sorriso, meu brilho, restando apenas pranto.

assim do nada (para o Flávio)

assim do nada conhecemos pessoas
como sementes por acaso dentro da mesma melancia.
assim do nada teias se formam
vizinhas aranhas trocam informações e proteção.
assim do nada a vida nos surpreende
e nos faz reviver e reaprender o passado.
assim do nada, do tudo, de uma centelha que seja
cai uma maçã na cabeça, um sorriso surge no rosto e o mundo se modifica.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

o contador de histórias

invadiu-me o vazio que tantas vezes esteve na tua barriga
e a tristeza dos teus olhos baixos me apertou o coração.
senti vergonha pela minha falta de cor, falta de ação
senti tuas lágrimas correrem no meu colo, colo de mãe.
me perguntei por que você e não eu, quem foi que escolheu
quem foi que faltou, que foi que sobrou, que aconteceu?
me perguntei por que você e não eles, e agradeci por você
figura iluminada, sorridente, renascida tantas vezes.
mas o vazio, menino, o vazio ainda está aqui,
nos meus olhos que vêem meninos caídos no esquecimento.
está nas roupas, nos sapatos e no dinheiro que eu dou,
que nunca hão de compensar o amor e o calor que faltaram.
está na indignação de quem nunca cansa de tentar.
e assim, menino, sigo cada dia enxugando lágrimas que não são tuas, mas são tantas, sem fim, que me fazem perguntar, sem cessar: por quê?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

cibele

em dia de festa menina bonita
com saia rodada, feita de fita
vê reflexo n'água parada, e agita
pensamento de moço, e nele habita.

e moço querido, sorriso iluminado
convida menina pra ser par no bailado
cai nuvem na terra, céu fica aguado
moço e menina beijam, é noite no cerrado.

passam as horas, passam os mares
as flores brotam, sempre aos pares
porque amor de juventude, perfuma os ares
brincando de viver, em camas, ruas e bares.